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[Page 5: A identidade do Amazonas expressa no folclore do Boi-Bumbá
por Erick Bessa Pinheiro]

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A DEDICAÇÃO, RETORNO, DESENVOLVIMENTO E DIVULGAÇÃO COM AS AGREMIAÇÕES FOLCLÓRICASDOS BOIS-BUMBÁS

O orgulho é o principal sentimento manifestado pela maioria das pessoas que participam, tem vínculo ou torcem com paixão por uma agremiação folclórica de boi-bumbá. Este sentimento se carrega ainda mais quando serve para dizer que é da terra, que é parintinense, parecendo que por trás disso existe uma força natural para esses eleitos. Amor, dedicação, vínculo à serviço de um Boi pelo simples desejo de vê-lo evoluindo para a vitória no Festival. Abraçar uma agremiação significa vestir as suas cores com raça e ter a seriedade de se fazer o melhor e obter tudo que isso possa gerar. O retorno de tudo isso aparece no investimento do potencial artístico do povo parintinense, na promoção e desenvolvimento social da cidade como um todo. Os bois-bumbás representam o interesse de toda uma sociedade.

Para exemplificar melhor estas palavras seguem trechos de entrevistas realizadas com pessoas envolvidas diretamente com as Agremiações Folclóricas desenvolvendo trabalhos e aumentando seus potenciais.

Entrevista realizada no ensaio geral da galera antes do Festival, com as dançarinas parintinenses da "Galera Show" (GS) do Boi Garantido S. Cristina, 15 anos, e A. Sousa, 16 anos.

-Vocês fazem parte do quê? E qual o significado disso?

S. Cristina – Do grupo GS de danças. A gente se apresenta pelo boi, a gente faz parte do boi. Porque além da gente dançar, a gente se apresenta lá no bumbódromo, anima, sente a emoção da galera no palco, a galera vibra, vai, retribui e a gente sente aquela emoção.

-O "Garantido Show" é uma parte da apresentação no Festival ou ele vai além de Parintins?

A. Sousa – As duas coisas. O GS é composto por vários jovens. Os jovens com o tempo vão definindo passos dançando. Vão participando de apresentações para turistas e para fora também. E esse grupo participa dentro da arena.

-Isso significa que uma de vocês fazendo parte do GS amanhã pode ser um "item" do Boi?

S. Cristina – Sim, sempre é assim. Várias pessoas que são os itens, todos eles passaram por aqui e todos estão aí como item saudando nosso boi.

-Da maneira que falam, sinto um empenho muito grande. Vocês fazem isso de coração, pela tradição ou por questões monetárias? Ganham alguma coisa com isso.

A, Sousa – Com certeza. A gente faz de coração, vibração, porque a gente gosta, não é por dinheiro e nem pela coisa de ser famosa. É pelo sentimento que a gente gosta de dançar, por nós mesmo. E pela paixão pelo Boi, estamos aqui com orgulho. Nossa terra é festeira mesmo e temos paixão pelo nosso festival. Não só pelo Garantido, mas pelo Caprichoso, porque são eles que contribuem para a festa de nossa cidade.

- Pela idade de tem, vocês têm muito a oferecer ao Boi?

S. Cristina – Com certeza. Quem sabe daqui a um tempo ser um item ou mesmo ser organizadora, coordenadora. Porque GS é para isso, para crescer realmente. Ainda tem o Garantido Jovem (GJ) que é também para progredir dentro do boi.

-E vocês participaram pelo GJ?

S. Cristina – Bom antes de passar pelo GS, a gente passou pelo GJ, que era assim, ajudar os jovens a progredir, dando cursos de computação, inglês, espanhol, porque muitos não têm condições de pagar um curso, aí o GJ era para isso, ensaiar as danças, coreografias para apresentar no curral. Oferece cursos de conserto de bicicleta que é o grande meio de transporte daqui. E curso de pintura e arte que tem nos galpões de criação, os QG' s.

Entrevista com Talita Brasil, dançarina do grupo Canto da Mata do Boi Caprichoso, parintinense, 16 anos.

-O que é o grupo Canto da Mata (CM)?

- É uma das bandas oficiais do Boi Caprichoso que à 10 anos faz apresentações .

-Existe algum concurso para entrar ou é dom mesmo?

- Aqui em Parintins eu já dançava, aí quando fui para Manaus, tava dançando, e assim do nada, me viram dançando e me convidaram. Quando fui estudar em Manaus veio o convite para participar do grupo CM, vestir a camisa porque conheço de coreografia.

-Através do grupo tem como fazer parte do festival?

- Eu já recebi convite para ser item do Garantido, do boi contrário, para ser Rainha do Folclore. Mas como o coração é de fé Caprichoso, não podemos trair. Eu visto a camisa mesmo.

-Mas é projeto futuro ser uma figura destacada no Boi?

- Para mim seria uma grande honra, por ser Caprichoso.

-Vocês fazem viagens com o grupo pelo Brasil e pelo exterior para divulgar a cultura e as apresentações. Quer contar alguma viagem inesquecível?

- Tive uma experiência ótima que foi a viagem para Barcelos, cidade do amazonas que tem um festival tipo dos dois Bois daqui. Mas lá como é a cidade do peixe ornamental, são a briga de dois Peixes, o Cardinal e o Acaradisco. E fui convidada para ser Rainha do Folclore neste ano. Muito emocionante porque foi a 1ª vez que dancei de porta-estandarte, e por isso que marcou esta viagem por está lá representando. E quem ganha muito com isso são os artistas de Parintins, que não param, acaba aqui o Festival e vão para outro município com festas ou para o carnaval de São Paulo, Rio, onde são muito requisitados. No festival eu me entrego total ao CM.

Assim como podemos perceber o sentimento de orgulho em adolescentes que estão só iniciando a carreira artística, acreditando no amor e dedicação depositados à agremiação folclórica pelas perspectivas de retorno, existem os artistas consagrados que são exemplos para estas pessoas e confirmam o potencial do FFP.

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